sábado

Nunca pesquei. Não gosto de pensar em matar um peixe. Prefiro pagar alguém para cometer o “piscinato” e depois degustá-lo. Minha consciência fica menos pesada.Quando vejo pescadores solitários, em alguma praia, rio ou lago penso no que eles estão buscando. O que menos interessa a um pescador amador são os peixes e sim o elemento de sociabilidade que é a pescaria, uma grande brincadeira sem interesses ambíguos, que não sejam beber ou tomar chimarrão e enganar os peixes com seus anzóis camuflados por iscas que muitas vezes, devem fazer os peixes se sentirem ofendidos ao acharem que os homens estão imaginando que eles são amebas. Mas e as pessoas que gostam de pescar solitárias? Um ser humano, algumas minhocas e os peixes. Três seres vivos num jogo onde somente dois terão chance de sobreviver. Neste momento homem e peixe entram em uma batalha e tanto um lambari quanto um tubarão tem o mesmo valor. Um quer sobreviver. O outro deseja alimento que ele mesmo buscou sem precisar gastar para conquistar. Creio que deve ser um enorme prazer para um pescador comer um peixe pescado, limpo e preparado por ele mesmo. Auto-suficiência perante o sistema. Ir cedo para uma praia ou um açude, sentar numa cadeirinha, atirar uma vara de bambu com uma linha de nylon na ponta, um anzol e uma minhoca empalada seja uma terapia antiqüíssima para superar os tantos obstáculos do dia a dia e vencermos sem nós vendermos. Uma ilusão na irreal vida real.