sexta-feira

O PUNHETEIRO


O punheteiro acordava sempre tarde. Depois das onze. O punheteiro nunca amou a uma mulher. O punheteiro nem sequer um veadinho comeu durante seus 50 anos de vida. O punheteiro era um escravo de Onan – O punheteiro queria se masturbar até depois da morte. Teve uma vida vazia e sem sentido, pois buscou o que nunca conseguiria. Ser amado sem dar amor. Pobre punheteiro em seu chalé no subúrbio com suas centenas de filmes e revistas pornôs. A tristeza e a alegria de viver consigo mesmo. Ele nunca gostou de mulheres a não ser para admirar de longe, pois jamais havia tocado em uma mulher. O punheteiro não via o espírito e a alma feminina – ele apenas queria uma imagem para gozar e nada mais. Sua vida consistia em ver televisão e bater punhetas e mais punhetas ao longo dos dias, semanas, meses e anos até o final de sua existência vazia e sem sentido. Ele não queria amar. Não achava ninguém digno do seu amor. Todas as mulheres eram piranhas e todos os homens idiotas. O punheteiro se considerava o centro do universo e tudo girava em torno dele e de suas vontades. Não havia verdades e sim a verdade do punheteiro. O punheteiro sempre rezava todos os dias para limpar sua barra com Deus. A vida tinha sido perdida e na solidão daquele chalé velho ele fazia seu reino de um homem só. Nos seus sonhos ele gerenciava o Bacanal do Universo fazendo de conta em fazer de conta. Os dias passam na vida do punheteiro. Dia após dia ele se auto-multila se masturbando até desmaiar de prazer e dor. Passar até o final dos seus dias se masturbando – Este é o preço que o punheteiro pagou por querer ter todas as mulheres do mundo.