quinta-feira

HISTORIAS VERDADEIRAS - O PIPOQUEIRO E O GUARDADOR DE CARROS


Seu Zé era um pipoqueiro muito querido pelos alunos e professores daquela grande escola. 20 anos se passaram e o homem de meia idade com seu carrinho deu lugar a um vovô muito simpático e querido amado por todos os estudantes. Seu Zé não trabalhava por grana. Tinha três filhos doutores. Trabalhava porque amava aqueles alunos. Seu Zé amava sua esposa: Dona Neuza que ia levar a janta ao Seu Zé todas as noites. Um gigantesco e suculento bife com arroz e feijão. Ela ficava namorando Seu Zé enquanto ele jantava. Parecia um casal de namorados. Quando Seu Zé saia da carrocinha quem ficava tomando conta era o Salustiano. Um guardador de carros, de uns vinte anos que fazia seu ponto perto da carroçinha. Algum tempo antes de conhecer Salustiano Seu Zé esta pensando em parar de trabalhar e por mais amasse todos os alunos daquela escola e fosse amado por eles estava cansado. Um dia apareceu aquele alemãozinho, caindo aos pedaços e pediu pipocas, pois estava faminto. Seu Zé de um pacote de pipocas e sugeriu ao Salustiano que ficasse como o guardador de carros do ponto em que estava trabalhando, pois o outro guardador tinha sido preso por vender crack para os guris do colégio. Ali começou uma grande amizade. Salustiano era caprichoso, andava sempre limpinho e lavava os carros dos professores enquanto os pacotes de pipocas do Seu Zé serviam como alimento para as lobrigas da gurizada e da larica dos professores de filosofia e sociologia. Os anos foram passando, a amizade e a parceria se solidificando. Um dia Salustiano começou a namorar uma menina muito bonita que conheceu quando ela ia buscar os filhos da patroa no colégio. Isso não abalou a amizade daqueles dois. Das 08h00minh as 24h00minh de segunda a domingo eles trabalhavam juntos , pois os alunos levavam os pais somente para comerem as pipocas do Seu Zé e já faziam uma lavagem caprichada no carro, pois o trabalho do Salustiano era espetacular! Somente usava produtos da Amway e Perflex – Os carros de luxo saiam ainda mais luxuosos. Aquela troca de favores deu começo a uma longa amizade. Eram felizes Seu Zé e Donas Neuza, tinham sua casinha própria de posse, os três filhos tinham se formado já fazia algum tempo e tinham ido embora para muito longe e somente se viam no Natal. Um dia aconteceu algo que mudou a trajetória de tudo e de todos naquele colégio. Faltou luz as 08h30minh da noite. Graças ao lampião da carrocinha de pipoca não ouve pânico na frente da escola. Depois de alguns minutos decidiram fechar a escola e liberar os alunos bem mais cedo. Depois daquele tumulto inicial todos foram para casa exceto os dois e o zelador do colégio: Seu Osvaldir. Seu Zé e Salustiano decidiram ir ao banheiro antes de deixarem à carrocinha no estacionamento do Aranha. Seu Osvaldir achou estranho eles irem ao banheiro do “quarto andar” enquanto havia um no térreo, mas tudo bem. Passou alguns minutos depois de Seu Zé e Salustiano subirem e Seu Osvaldir sentiu uma sensação estranha, uma curiosidade e certa desconfiança. Pegou sua lanterna e seu canhão (um 22 cano curto!) e subiu até o quarto andar. Quando chegou perto do banheiro começou a ouvir alguns barulhos estranhos e não muito familiares: - Ai, ui, ai, aiii, uiii, aiii, mais, não para, vai meu velinho gostoso, vai, ui, uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, aiiiiii... – Pé por pé, Osvaldir com sua lanterna apagada entrou no banheiro e se dirigiu até o ultimo Box... A gemedeira e os gritos de prazeres fizeram o coração do Osvaldir disparar. Quando ele viu os espectros na penumbra Tcham: Ligou a lanterna: Salustiano nu de quatro e o Seu Zé atracado como um cão no cio em sua cadela. Frente a frente: Três homens em conflito: E agora: Osvaldir era um Testemunha de Jeová ultra-direitista daqueles que somente fazia sexo anal com a bíblia aberta e com fins de reprodução. A atitude de ligar para o 190 foi automática. Ninguém falou nada. Ambos se vestiram e foram saindo da escola. Quando chegaram à frente estava uma guarnição da brigada. Algumas explicações desfizeram o mal entendido. Os brigadianos riram, pois de cara sacaram do que se tratava e liberaram os dois amigos. Ambos foram empurrando a carrocinha até o Aranha. De lá cada um foi para sua casa de bicicleta como se nada tivesse acontecido. No dia seguinte as 07h00minh ambos foram empurrando a carrocinha até a frente do colégio. Tudo foi diferente: Os alunos olhavam para eles e riam. Alguns gritos como bichonas, veados, gays e ninguém ia comprar pipoca ou conversar. Salustiano sempre mostrou um enorme ódio pelos gays, pois nunca muito tratou bem, mas sempre com educação os professores bissexuais da escola (não eram poucos!). Seu Zé estava triste e viu que a vida tinha acabado ali naquele local. Salustiano chegou e sentou no mochinho do Seu Zé. Olhou para uma pequena faca que tinha na carrocinha e mirou Seu Zé olhando para o prédio da escola que ele dedicou toda a sua vida. Ouvia os gritos de “Velho Bichona” e “Alemão veado” vindos das janelas da escolar...Salustiano pegou a pequena faca e cravou direto no pescoço de Seu Zé. Um forte esguicho de sangue encheu as pipocas na carrocinha que se tornaram vermelhas ao invés de brancas e em segundos Seu se agachou olhando nos olhos de Salustiano e expirou. Salustiano se entregou e mora no presídio onde se encontrou com homem e se tornou evangelico. Dona Neuza nunca acreditou em nada do que foi dito e dia a dia lembra dos 40 anos de casamento. Osvaldir foi encontrado enforcado no banheiro de sua casa uma semana depois com a bíblia aberta no chão. Em poucos dias tudo foi esquecido na escola. Um novo zelador, um novo pipoqueiro e um novo guardador de carros aparecerem e a vida continuou como em todos os lugares. Mas os alunos e professores daquele semestre naquela grande escola jamais esquecerão daquela estranha historia de amor, ódio e tragédia das quais eles participaram. A vida de muitos mudou devido ao forte impacto da vida de verdade na sua vida de mentirinha adolescentes. Com aquilo crianças se tornaram homens e viram como a vida funciona. A sua maneira eles fizeram sua parte para um mundo melhor e com menos hipocrisia.