sexta-feira

Arruda tinha uma tara. Quem de nós não tem uma tara? Uma tarinhazinha sequer todos nós temos. O Arruda era tarado por dar boquete para qualquer coisa viva. Seu pinto já tinha entrado na boca de todos os travestis e prostitutas de POA. Ele anotava numa carteirinha as notas que dava aos boquetes. Aquilo tinha se tornado um vicio. Arruda noiava se não dava um boquete. Os veados chupavam muito melhor pois sendo homens sabem o ponto fraco de outro homem. As putas se esforçavam mas não chegavam aos pés dos experientes mas imberbes travestis. A vida de Arruda era sair do serviço, ir em casa, tomar um banho, ler um pouco a Bíblia, ir na Igreja no culto da 19h00min no Partenon e após isso, de segunda a domingo, dia após dia ia direto a Farrapos – todo mundo já conhecia o Fusca branco com rodas de magnésio e o som alto escutando musica gauchesca. Arruda era extremamente discreto!!! O tempo foi passando. Arruda foi ficando velho. Fudido e mal pago. Os jovens travestis não envelheciam pois jovens morriam naquela vida sem sentido. Sua vida estava misturada nas entranhas das vidas dos veados e prostitutas. Ele abdicou do amor de uma mulher para amar todas as putas e travestis. Talvez tivesse um coração grande demais. Arruda tinha voltado para casa. Tinha dado três boquetes para três veados diferentes mas não gozou. Apenas queria sentir seu pênis dentro da boca de outras pessoas. Ele se sentia superior pois por qualquer R$ 10,00 as jovens prostitutas viciadas em crack ou jovens transexuais sedentos de esperma topavam. A dignidade humana valia tão pouco. Arruda era feliz. Chegou em casa. Sozinho e sem ninguém como sempre depois de mais um dia. Deu a nota aos três putinhos na sua carteirinha e foi agradecer a Deus por mais um dia e a possibilidade de ter colocado seu pinto na boca de mais três pessoas levando a palavra de Deus através do seu sexo. Depois de orar Arruda toma seu Lítio com Neozine mais Rivotril e Prozac e foi dormir com os anjos e em paz com Deus pois ele esta fazendo sua parte.