terça-feira

VERDADES, NUAS E CRUAS E SEM NHENHENHE

Sobre os Bancos
Os Bancos são uma instituição básica e viceralmente perversa. Consiste na tentativa de legitimar um vício: a usura (ou a agiotagem). Os banqueiros no seu início, na Idade Média pagavam juros às pessoas que lhes confiavam dinheiro para guardar ou aplicar em proveito próprio. Isso durou até o fim da primeira metade do século XX, mas depois deu-se a distorção maior, pois de lá para cá os depositantes agora pagam para os bancos guardarem e usarem o seu dinheiro. Os clientes fazem o papel de idiotas inconscientes enquanto os banqueiros são ladrões e vigaristas disfarçados sob uma capa de respeitabilidade que na verdade começa a ser desmascarada.

Sobre a Polícia

As pessoas comuns ingenuamente cobram da polícia proteção e até mesmo uma espécie de justiça preliminar. Entretanto isso é um equívoco, pois a raíz histórica da criação dessa instituição está na Guarda Pessoal dos reis, desde a antiguidade. No Império Romano, estava na Guarda Pretoriana dos Césares. A polícia portanto foi criada com a finalidade de reprimir e controlar o povo em proveito dos nobres (ou das elites). Isto ficou no "inconsciente coletivo" de qualquer policial individualmente, que no momento da escolha protegerá sempre o mais forte.

Sobre o dinheiro
O dinheiro é o sucedâneo da força, e portanto do poder. Podemos dizer que o próprio poder emana do dinheiro. A razão disso é a seguinte: no início das sociedades humanas, ainda tribais, os homens eram caçadores ou predadores. Aquele que trazia mais carne de caça para a caverna, catalisava o maior número de fêmeas portanto de filhos, o que lhe aumentava o prestígio entre os outros caçadores da tribo. Com o tempo o predador se tornou guerreiro e conquistador de outros povos e isso durou a maior parte da história da humanidade. Com a o advento da era industrial, o poder e a força deslocou-se para o homem do dinheiro, este como substituto simbólico do poder, portanto da força. Assim o homem mais atraente às mulheres continua sendo o mais forte, isto é, aquele que traz mais víveres e bens para dentro da “toca”. Agora o homem forte pode ser um baixinho barrigudo e careca, não precisa mais ter músculos, que não são mais sintomas de “força”.

Sobre a Política

A política é arte de seduzir as massas, e de negociar vantagens. A política nasce sempre da hipocrisia, pelas suas origens espúrias, pois nascida entre líderes fracos que temiam ser destronados pelas massas. Haja visto Nero com a sua política de "Panis et Circences" (Pão e Circo") quando a plebe começou a desconfiar que ele mesmo tinha ateado fogo em Roma, e não os cristãos. Nesse sentido podemos dizer que a política é um “mal necessário”, pois segundo a definição de Voltaire, “a hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”.

Sobre o suposto aumento da violência e falta de segurança no mundo

Este é um dos maiores equívocos de julgamento popular do tempo atual. O mundo nunca foi menos violento ou menos inseguro do que é hoje. Quem conhece a História Universal sabe que nunca houve uma década na História, ou mesmo um único ano em que não estivesse acontecendo um número enorme de guerras espalhadas em diferentes pontos do planeta, com massacres e ignomínias inenarráveis. A guerra é um dado comum na história dos povos, a ponto de controlar, junto com as pestes, a explosão demográfica que assim foi retardada até o século XIX.
Uma senhora idosa que conheci em São Paulo, me disse que não saía mais de casa devido à violência e à insegurança, e que o mundo tinha ficado horrível, não era mais como no tempo dela. Eu então lhe perguntei: “Senhora, a sua mocidade se passou na década de 30, não foi? E a senhora sabia o que estava acontecendo na Europa e na Ásia, enfim, no mundo, nesta época? A senhora é contemporânea da Segunda Guerra Mundial, onde mais de 50 milhões de pessoas morreram. A senhora ouviu falar dos campos de concentração nazistas onde seis milhões de judeus, ciganos e comunistas foram torturados e massacrados ou mortos de fome? A senhora sabia que os americanos jogaram duas bombas atômicas sobre cidades do Japão matando instantaneamente mais de 200.000 pessoas e muitos mais milhares a médio e longo prazo com queimaduras dolorosíssimas e doenças degenerativas, câncer, etc... ocasionadas pela radiotividade?”
A senhora, assustada, ficou um momento calada, confusa, e então exclamou:
-“Ah! Mas a gente não ficava sabendo...”

Quero dizer com isso, que o único dado novo é desenvolvimento das comunicações iniciado como “Era” no final do século XX. Agora, se um ônibus mambembe de escola, no interior da Índia atravessar uma pinguela sobre um rio infestado de crocodilos, e desgovernado nele cair, saberemos de cada criança e de cada crocodilo devorando-as com detalhes, em tempo real. Possivelmente veremos a filmagem na televisão. O horror não terá mais limites...


Lucia Welt Valber