sábado

O PUM E UM GRANDE AMOR.


A chuva tava forte. Pedi o carro de meu pai emprestado para ir trabalhar. Eu era funcionário do SENAC e começava uma bela “carreira” como um promissor jornalista. Mas isto não vem ao caso. Eu estava apaixonado pela Patrícia, uma baixinha tri-gostosa com jeitinho de santa que eu conheci quando tinha 12 anos no primeiro grau. Ela fazia um curso de informática no SENAC e tínhamos estudado juntos quando crianças, mas jamais eu tinha me aproximado dela com medo da rejeição (gordos sofrem muito por isso!). A Patrícia tava um rico rabinho – mexia comigo , com meu coração e, muitas vezes, durante o trabalho, eu trancava o banheiro do diretor para descabelar o palhaço. Como as festas que a Patrícia ia não eram as mesmas minhas ,faltava oportunidade para NHAC. Ela ia nos Verdes Anos, no Satolep, na Paladium, Vira Volta, etc. e eu já curtia os lugares mais undergrounds como o “Saudade Show”, o “Clube da Saudade”, “Clube dos Coroas”, “Tatibitate” onde eu me sentia mais à vontade´, pois as mulheres eram “menos” cheias de frescuras em relação à aparência dos homens. Voltando a falar da Patrícia, ela passava por mim várias vezes e me olhava de um jeito que dava a entender: - Vem cá meu gordinho tesudo, quero ser toda tua!!! - Puta que pariu – Eu não sabia se era simpatia (mulher simpatiza com gordo, mas na hora de dar para ele era uma briga!) dela, ou se ela tava a fim mesmo. Não tinha como eu mandar um e-mail me declarando (não existia web!).Neste dia de chuva forte, saio de caso tranqüilo depois de ter comido uns três ovos cozidos pela manhã e tomado meu suquinho de laranja. Patrícia morava na rua ao lado da minha e seguido nós nos encontrávamos na parada de ônibus. Lembro que antes de chegar à esquina, eu largo um PUM dentro do carro, com os vidros fechados, por causa da chuva. Não foi um PUM – foi o PUMMMMMMM- Silencioso e venenoso com um cheiro que me remeteu à primeira guerra mundial e seus gases venenosos. O carro ficou tomado daquele gás medonho, mas como era meu mesmo, eu não dava bola e até curtia o “cheirinho”.Cacete: Quando paro na esquina para entrar na avenida quem está na parada? Com um sombrinha rosa,, toda arrumadinha, a coisa mais querida: Patrícia – Ao me ver, abriu um sorriso “pecaminoso” e deve ter pensado duas coisas – ou que tinha conseguido uma carona ou que íamos finalmente nós aproximar. O fedor dentro do carro estava tão insuportável que qualquer pessoa vomitaria. Passo bem devagar, olho para Patrícia e sigo reto com raiva do meu reto. Sentia que tinha perdido a melhor chance de todas e talvez a última. Quando nós nos encontramos no SENAC, os sorrisos e a simpatia tinham morrido, pois para ela, eu não passava de um gordo idiota como todos os gordos idiotas. Menos um amor que deixei de viver. Seguidamente, vejo Patrícia, enfermeira, um filho , 40 anos e cada vez mais gostosa. Ela me cumprimenta e me olha ainda de um jeito estranho, mas sei que um PUM bem dado, mas na hora errada, me fez perder um grande amor, ou talvez o grande amor da minha vida. Viram o que um simples peido silencioso pode fazer na vida de um homem?

PUBLICADO ORIGINAMENTE PARA O BLOG
www.minhacomediadiaria.blogspot.com