terça-feira

COISAS EROTICAS - PUTARIA E DEMOCRACIA NO BRASIL OITENTISTA


Dezembro de 1983: Eu tinha sido aprovado para cursar o segundo grau no colégio João XXIII, estava em alta em casa pois tinha sido aprovado, tinha ganho uma Caloi 10 e uma viagem ao Rio de Janeiro. Eu estava feliz mas tinha um problema muito grave: Eu nunca tinha comido ninguém! E eu estava desesperado para comer alguém pois meus amiguinhos viviam comendo veados e as putinhas locais. Só eu não comia ninguém!!! Lembro que era véspera de Natal daquele ano: Eu, como sempre solitário, saio para ir ao cinema. Eu nunca tinha comido ninguém e tudo que eu tinha em mente eram as revistas pornôs com quais eu descabelava o palhaço varias vezes ao dia. Tínhamos naquela Pelotas ingênua o Cine Avenida – Um belíssimo teatro que virou um cinema de Kung Foda – Eram filmes de Kung Fu mais um filme de foda pelo valor um ingresso. O primeiro filme pornô de sexo explicito feito na época da ditadura estava em cartaz: COISAS ERÓTICAS. Na minha carteira de estudante estava que eu tinha 18 anos, alias, todo mundo tinha 18 anos na carteira de estudante. Cheguei perto das 8 da noite e olhei para o cartaz: COISAS ERÓTICAS! Meu coração começou a disparar como se eu fosse comer alguém de verdade. Eu iria poder ver pessoas trepando. Será que ia colar e se me deixariam entrar eu não sabia. Comprei meio- ingresso e passei sem problemas pela catraca com o coração numa taquicardia no melhor estilo cocaína de primeira. La estava eu numa tremedeira só- O meu sonho de ver um filme de foda de verdade ia acontecer: Aquelas “belíssimas” cenas projectadas em 70mm me deixaram boquiabertos (para um guri de 15 anos). Lembro que foi ai que conheci a masturbação digital – Fiz um pequeno carinho no meu pinto e plum...acabei-me (gozei) nas calças e minha Pierre Cardin novinha virou um monte de meleca. Botei a camisa para fora das calças na saída do cinema e fui para casa toreando todos os travestis e putas de rua que cruzaram pelo meu caminho naquela vespera de Natal de ruas semm-desertas. Não comi ninguém, obviamente ,por que não tinha grana mas o primeiro passo estava dado. E o primeiro passo foi um inocente filme de putaria que inaugurou o retorno da democracia no Brasil e me mostrou a realidade do sexo num solitario e inesquecivel Natal dos anos 80.